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Há 42 anos, Argentina faturava seu primeiro título mundial, em edição polêmica da Copa do Mundo

Em 25 de julho de 1978, a Argentina, sob o comando do técnico César Menotti, conquistava, em casa, sua primeira Copa do Mundo. Foram 40 anos de espera desde a primeira tentativa de sediar o mundial. Porém, o que era para ser um evento histórico, principalmente para os hermanos, acabou por se tornar a maior polêmica da história da competição, discutida até os dias atuais.


Naquele ano, a Argentina recebia a Copa do Mundo dois anos depois do golpe que instarou a Ditadura Militar no país. Com isso, o futebol era tido como um meio de propaganda do governo de Jorge Vidella. Sendo assim, um bom desempenho dentro de campo da seleção era crucial.


Na primeira fase, a Albiceleste, comandada por craques como Passarela, Mario Kempes e Fillol, terminou em segundo com duas vitórias e uma derrota apenas, para a Itália. Assim, a polêmica mesmo aconteceria na segunda fase. Isto porque, na época a competição se definia da seguinte forma: as oito equipes classificadas se dividiam em dois grupos e o primeiro colocado de cada chave avançava para a finalíssima.


No Grupo B, a rodada final aconteceu em 21 de junho e foi recheada de controvérsias, principalmente, pelo fato de que as partidas eram realizadas em horários diferentes, ou seja, os times que jogavam a noite, por exemplo, já entravam em campo sabendo do que precisavam fazer para se classificarem. Então, o Brasil jogou a tarde, antes da Argentina, e venceu a Polônia por 3 a 1.


Com isso, o resultado obrigava os donos da casa a venceram o Peru por quatro gols de diferença. Contrariando os prognósticos, a Albiceleste não só conseguiu tirar os quatro tentos de diferença, como também golear os peruanos por 6 a 0. Kempes e Luque balançaram as redes em duas oportunidades e Tarantini e Houseman liquidaram a fatura. A goleada levou a Argentina para o jogo da vida.


No estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, mais de 70 mil torcedores viram a Argentina levantar a taça de campeã do mundo pela primeira vez, após derrotar, na prorrogação, a Holanda por 3 a 1, com destaque para o craque Kempes, que com o gol marcado na partida foi artilheiro da competição com seis gols.


Perguntas sem respostas

Como isso é possível? Isto foi o que muitos amantes do futebol se perguntaram após a decisão da Copa de 1978 e ainda não encontraram a resposta. Muitos dizem que o ditador Jorge Vidella visitou o vestiário do Peru minutos antes da partida para desejar “boa sorte”. O que na verdade era uma pressão psicológica sobre as consequências que país vizinho poderia sofrer em caso de vitória sobre a Argentina. Outra polêmica envolve o goleiro peruano Quiroga. Nascido na Argentina, muito de discute sobre o desempenho dele na partida. Supostamente, teria recebido dinheiro em troca de aceitar sofrer gols do adversário.


Em 2018, 40 anos após a goleada, em entrevista ao jornal peruano Trome, José Velásquez, ex-jogador daquele time, comentou sobre ambas as polêmicas citadas acima e afirmou que, além do arqueiro, mais cinco companheiros seus teriam se vendido. Ele ainda comentou sobre a visita de Videla e do secretário de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, ao vestiário. “O que eles tinham que fazer ali? Foi uma maneira de nos pressionar, de encontrar quem tinha se vendido. A corrupção sempre existiu.”, afirmou.

Mala branca brasileira

Outro atleta daquele plantel peruano, Germán Leguía, foi procurado pela rádio Programas para confirmar as informações de Velásquez e admitiu que aconteceu “coisas estranhas” no mundial de 78. Para ele, dois fatos o causaram entranhamento: uma notícia de que o Brasil teria feito uma oferta para que o Peru não perdesse a partida. A mala branca, como é conhecido o valor pago a um time com incentivo para vencer uma partida. “Houve uma oferta do Brasil para que ganhássemos ou perdêssemos de até 3 a 0. E era muito dinheiro. Muitos jogadores se irritaram com a notícia. Me procuraram para esta oferta”, disse.


O segundo é o fato do treinador Marcos Calderón ter escalado a equipe no dia sem um centroavante. “O time que ele escalou foi muito estranho, não colocou nenhum 9. (…) A Argentina não podia nos fazer quatro gols. O Brasil fez três em um jogo atípico”, concluiu.

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