• Bianca Lodi

Jogadoras sofrem cortes de salários e contratos na pandemia

Atualizado: Jan 16

Sem pagamentos, presidente do Vitória trata futebol feminino como amador


Foto: Letícia Martins/EC Vitória

Com impacto global do Coronavírus e três meses sem futebol, diversos setores financeiros dos clubes estão sendo afetados. Entre eles, o futebol feminino e a redução dos salários. Mesmo com o auxílio de verba da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), alguns times estão cortando contratos e reduzindo os salários das jogadoras.


Foram repassados pela CBF R$120 mil para ajuda de custo da modalidade durante a pandemia. Sendo destinado para equipes da série A1 e A2, mas nem todos os clubes destinaram o dinheiro para as jogadoras. O futebol feminino mais uma vez enfrenta as dificuldades e descasos de antigamente.


Novamente os clubes brasileiros demonstram tratar o feminino como amador, no qual só mantém as equipes pela obrigatoriedade da CBF e Conmenol, e que muitas continuam jogam pelo seu sonho, sem receber salário.


Diante do atual cenário, as jogadoras começaram a denunciar anonimamente os clubes que não estavam fazendo os pagamentos ou reduções dos salários. Entre eles, Audax, Santos, Corinthians, Internacional, Grêmio e Iranduba, que enfrenta uma crise forte no clube atualmente. Estes fizeram reduções dos salários de 25%. Entretanto, o Vitória, que já vem há anos tratando o futebol feminino com descaso, apenas com ajuda de custo de R$ 500 reais para alimentação e transporte, nestes últimos 3 meses, não pagou o auxílio às jogadoras.


Na última segunda-feira (15), o presidente do Vitória, Paulo Carneiro, em entrevista à Rádio Sociedade, apontou o futebol feminino como apelo demagógico e ressaltou ainda que ele faz o que ele quiser com o dinheiro. "Eu não tenho no futebol feminino um empregado, são todas bolsistas. O Vitória prioriza a suas necessidades básicas e a prioridade vai ser sempre o futebol masculino".


O Vitória tem um problema muito mais grave do que esse, que é conseguir equacionar esse saco de problemas que nós herdamos e que ainda tenho que ouvir gente preocupada com o futebol feminino. O clube tem prioridades monstruosas, criminosas para absorver e as pessoas estão preocupadas com o que é que o Vitória fez com os R$ 120 mil do futebol feminino. Eu quero dizer que os R$ 120 mil foram dados ao Vitória, sabe?, disse o dirigente, em entrevista à Rádio Sociedade.

Muito se foi falado sobre a demora do repasse do dinheiro às jogadoras e a entrevista dada pelo presidente. Diante disso, para ajudar às atletas, um grupo de torcedores do Vitória criou a campanha #EuApoioAsLeoas para arrecadar uma verba ao time feminino.


A entrevista do presidente do Vitória reflete muito em toda batalha que o futebol feminino sempre enfrentou há anos para conquista de investimento, espaço na mídia, reconhecimento e patrocínio. E mostra o quão muitos clubes, com destaque para o Vitória, veem o feminino como amador e descaso. Sem necessidade de manter ou só mantendo para poderem garantir à disputa para o masculino com a obrigatoriedade.

O futebol feminino que estava avançando e teve um 2019 incrível com o reconhecimento e transmissão da Copa do Mundo Feminina, está sendo duramente afetado, sendo as jogadoras as primeiras a sofrerem os cortes. Vistas como não prioritárias.


De fato, as paralisações dos jogos começam a surtir efeito dentro dos clubes devido à falta da receita gerada pelas bilheterias e os contratos suspensos das emissoras e patrocinadores com os clubes enquanto não houver confrontos. Mas vemos ainda que no meio de todos os recursos o futebol feminino não é incluído como preocupação.

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