Jogadores de futsal relatam situações enfrentadas diante da pandemia de Covid-19

Atualizado: Jul 24

Os alas Neguinho e Bagatini construíram uma carreira sólida dentro das quadras. Mas nas últimas semanas, os jogadores estão vivendo dias incomuns e com muita tensão devido a pandemia do Covid-19.


Neguinho é o novo reforço do Shenzhen Nanling Iron Wolf da China. O jogador que chegou em Hong Kong na quarta-feira passada, encontrou uma nova situação no país asiático: todos os estrangeiros que chegam a China são encaminhados a uma quarentena. “Fomos surpreendidos com a decisão. Estávamos em viagem quando essa medida foi tomada. Chegamos em Hong Kong e passamos por uma triagem. Estamos em um condomínio, não podemos sair do quarto. Eles nos enviam café da manhã, almoço, café da tarde e jantar. Estamos trancados. Toda essa situação está sendo bancada pelo governo.


"A situação está se estabilizando, não estamos passando necessidade”, destaca Neguinho.

Já Antonio Bagatini retornou ao Brasil. O ala/fixo residia em Eboli, localizada na província de Salerno – ao Sul da Itália, onde defendia a Associazione Sportiva Dilettantistica Feldi Eboli. “Graças a Deus retornei ao país. Só conseguimos porque eles autorizaram a saída dos estrangeiros. Estávamos em uma quarentena havia três semanas, em uma cidade com cerca de 40 mil habitantes. Nenhum caso havia sido registrado, e mesmo assim o comércio já estava fechado. A polícia parava quem estava na rua e pedia comprovante das compras realizadas no mercado e na farmácia, quem não tinha era multado”.

"Eles se cuidam dos pés à cabeça", destaca Neguinho

Nas últimas semanas, os números de vitímas fatais de Covid-19 diminuíram na China. De acordo com Neguinho, o governo chinês está tomando todas as medidas para que os casos continuem em decréscimo. “Eles entenderam a situação. Eles se cuidam dos pés à cabeça. Levam à risca e a sério tudo o que precisa ser feito”.


Durante a viagem à China, o jogador também destacou a seriedade dos chineses. “No aeroporto eles limpavam as poltronas do avião, tudo o que tocavam passavam álcool em gel. Durante o percurso do aeroporto até o hotel, vimos pessoas com máscaras”, salienta o jogador.


A Liga Chinesa de Futsal ainda não tem data para retornar, e além da expectativa para disputar a sua primeira temporada no Shenzhen, Neguinho também destaca que ainda não conheceu os seus companheiros de time. “O time está dando muito suporte. Ainda não conheci os meus companheiros. Não conheço o interprete, o presidente e nem nada... apenas conheço por vídeos e fotos. A Liga não tem previsão de volta, acredito que se continuar essa evolução, a competição possa retornar no fim de abril”.


"Não deram importância, quando começou os primeiros casos, continuaram não 'dando bolas'", enfatiza Bagatini

Atualmente, a Itália é um dos países mais atingido pela pandemia do Covid-19, e mais de nove mil pessoas já morreram em decorrência da doença. Bagatini estava no país há oito meses, e de acordo com o jogador, o governo tratou o assunto com descaso. "Não deram importância, falavam que o vírus estava na China. Quando começou os primeiros casos continuaram não ‘dando bola’. Quando se deram conta, já tinham mais de 10 mil infectados. A partir do momento que o decreto nacional foi dado, quase mil pessoas já haviam morrido. Depois só piorou, é um caos. Foi algo inexplicável o que senti. Você se sente impotente, você nota que não é nada”.


Mas a preocupação do jogador está na situação precária da saúde brasileira. "Esse é o meu medo, não é uma simples gripe. É um vírus que está parando o mundo. Parando países com poderes econômicos e de saúde muito superiores ao Brasil. Aí tu pensa: o que vai acontecer com nosso país? Todos sabemos que o Brasil não tem poder econômico e principalmente poder de saúde. Qual é a estrutura dos nossos hospitais? Com 10 leitos, três ventiladores para oxigênio? Muitos não têm nem isso. Esse é meu medo, o povo não está se conscientizando do que precisa ser feito. O povo brasileiro tem o costume de querer tirar proveito em cima do outro, e não aceitar as ordens. Esse é o problema.


"Hoje, com o atual vírus que está acontecendo, tenho que cuidar de mim e dos outros. Se a população não se conscientizar, e estarmos unidos, não vamos ter forças”, finaliza Antonio.

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