• Karoline Tavares

Mulheres na gestão do futebol brasileiro

Que às mulheres o espaço no ambiente esportivo tem sido negado ou menos inclusivo historicamente, não há dúvidas. Seja no campo, na beira do gramado, na arquibancada… E quando falamos de gestão do futebol? Quais presidentas, vice-presidentas ou outras gestoras vêm a sua mente? Esse foi um dos primeiros exercícios que fiz assim que decidi que o tema do meu trabalho de conclusão de curso seria esse.


A pioneira foi Jurema Bagatini, presidenta do Esporte Clube Encantado, da cidade homônima, do interior do Rio Grande do Sul, de 1971 a 1972. A chapa da qual Jurema fazia parte era totalmente feminina: tinha como vice-presidenta Marta Kummer e vice-secretária, Dione Maria Pavéglio. Além delas, outras oito mulheres faziam parte de departamentos e comissões do clube.


Na época - quando as mulheres eram proibidas de jogar futebol -, a notícia caiu como uma bomba não apenas para os habitantes do município, como também para parte da imprensa esportiva do resto do Brasil.


O sexismo nas notas de alguns jornais que falavam sobre o assunto era a tônica da matéria. De comentários sobre a beleza das dirigentes até alertas para os homens (“será que por lá os homens estão perdendo a vêz?”), o ineditismo da situação mostrava o quanto era necessário caminhar e lutar para que tudo isso fosse visto, no futuro, como algo naturalizado.


Marlene Matheus, primeira e única presidente mulher do Corinthians

Depois de Jurema, houve Sirlei Dalla Lana, no Internacional de Santa Maria, também do interior do Rio Grande do Sul; Marlene Matheus, no Sport Club Corinthians Paulista; Patrícia Amorim, no Flamengo; e algumas outras, por todo o Brasil. Isso se falarmos apenas de presidentas. Quando pesquisamos sobre os demais cargos diretivos, encontramos mais mulheres no quadro de funcionários, mas ainda em número bastante reduzido.


Dos clubes pesquisados das Séries A a D do Campeonato Brasileiro de 2018, mais o Atlético-CE, para o trabalho, apenas 18 tinham mulheres em algum cargo da diretoria, o que equivalia a 13,8% do total.


Se faz necessário dizer que: a presença das mulheres nesses e em qualquer outro espaço não deve ser feita por conveniência. Essas informações são importante para analisarmos o quanto esse processo histórico patriarcal influencia as instituições e a sociedade, de modo geral, nos dias de hoje. Por isso, é tão importante que lutemos e nos capacitemos, cada dia mais, para nos fazermos presentes nos lugares que nos foram negados por tantos anos.

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