• Bárbara Merotto

Mulheres no Cartola FC

Entre DD, DS e SG a mulherada mostra que sabe tudo de futebol!


Se você ainda não está habituado a essa linguagem em siglas, deve ser porque você não é um dos milhões de cartoleiros e cartoleiras que jogam o Cartola FC. Lançado em 2005, criado e mantido pela Globo.com, o fantasy game mexe com uma grande paixão brasileira: o futebol.


O jogo consiste basicamente em escalar um time com os jogadores dos clubes que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. Até parece uma tarefa fácil, mas se seus jogadores te derem uma rasteira e não tiverem um bom desempenho na rodada, suas cartoletas (moeda oficial do game) vão por água abaixo. Mas quem pensa que apenas a ala masculina domina o jogo, está muitíssimo enganado. Assim como em muitos espaços conhecidos como “masculinos”, o site começou a receber um grande número de cadastros de mulheres para disputar o game. E como já passamos de 1979, já podemos ocupar nosso lugar também no Cartola FC e colocar nossas equipes pra jogo.


Sem clubismo e sem coração mole

Josi Marinho do Mitada Arretada

Se você joga Cartola já sabe que para mitar na rodada e ser o líder da liga, devemos contar não apenas com a sorte. Seja na cautela da liga clássica ou na aflição do time de tiro curto, se quiser ir bem nas rodadas do campeonato, tem que estudar muito. Assistir jogos anteriores, ficar de olho na escalação, atentos aos mais escalados, aos mais valorizados e até tentar prever quem será o craque da rodada.


A cartoleira Josi Marinho do Mitada Arretada e 37º colocada no ranking nacional do Cartola, explica o que leva em consideração na hora de escalar seu time.


“Eu sempre tento me basear em: estudo, estratégia e informações. Isso é o princípio de tudo para dar início a análise dos confrontos e tirar as peças que tem a probabilidade de ir melhor naquela partida”.

A jornalista Monique Cardone

Mas a tarefa mais difícil de todas talvez seja deixar de lado o clube do coração. E quem acha que a mulherada é coração mole na hora de montar a equipe, errou feio!


A jornalista Monique Cardone, que fez parte da equipe do Cartola FC por cinco anos e que também é cartoleira nata, monta o time sem sofrimento. “Zero clubismo para escalar no Cartola. Não sofro nada para colocar jogadores do time adversário, consigo separar muito bem. Até porque hoje o seu time está bem e amanhã está mal…rs. Futebol é isso”.


Para Josi é um pouquinho mais difícil, mas se precisar escolher, deixa o amor pelo Sport de lado e formar seu time só pensando em mitar na rodada. “Claro que o coração aperta quando você tem um time do coração, dói viu! Mas não podemos ter clubismo, isso atrapalha demais. O clubismo e o emocional tem que ser sempre tratados com delicadeza para não atrapalhar na escalação".


Mulher + futebol = mitada certa!

Sabemos que a história de nós mulheres com o futebol, foi e ainda é, cercada de preconceitos muitas vezes disfarçados de tabus. Quando uma mulher diz gostar, entender e assistir futebol, assim como em outras áreas onde ainda acham que se pode imperar o patriarcado, já ganhamos uns olhares estranhos, um sorriso amarelo de canto de boca e perguntinhas um tanto quando capciosas para testar nosso conhecimento. Para Monique, ainda existe um olhar machista sobre nós mulheres que gostamos de futebol. “Os homens tendem a “testar” se ela sabe de futebol – o que jamais fariam com outro homem. Mas as mulheres hoje estão mais empoderadas e ganhando espaço para falar dos seus gostos. O que é ótimo. Infelizmente o preconceito e os julgamentos fazem parte da sociedade: assim como para a mulher que gosta de futebol, como para o homem que gosta de dança, por exemplo".


Apesar das ligas femininas no Cartola FC terem uma grande representatividade, o número de homens no jogo ainda é muito maior. “É uma questão quase cultural. O futebol é apresentado aos homens desde criança: escolinha de futebol, bola, atividades na escola. Na adolescência, é muito raro ver os pais levando as filhas aos estádios, assistindo jogo com elas... e por aí vai. É lógico que isso reflete no desinteresse das mulheres no futebol. Acho que já mudou muito e está mudando bastante", explica Cardone.


Josi, não acredita que essa diferença represente um desinteresse das mulheres em relação a um esporte que sempre foi visto como “de meninos”. “Nós mulheres também gostamos de futebol. Torcemos, vibramos e sofremos do mesmo jeito. Eu acho que o preconceito ainda é muito forte, onde mulher não pode gostar de bola e que estádio não é lugar para ela ir. Mas vejo cada dia a opinião feminina crescer e vamos sim, juntas conquistar nosso espaço. O Brasil é o país do futebol e as mulheres fazem parte disso”.

Arte: 3MBee

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