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O fim de uma era, não de um mito

Em 15 de abril de 1981, Buenos Aires, nascia Nicolas Andrés D’Alessandro no bairro de La Paternal. O menino, filho do taxista Eduardo e Estela, que apenas se divertia em jogar bola deu seus primeiros passos no Baby Fútboll - futebol de salão da Argentina. Ali iniciou uma carreira vitoriosa de um menino que não gostava de perder e que sonhava apenas em ser jogador profissional. Ainda na infância D'Ale geniosamente criou a jogada característica, a chamada “La Boba”, unindo pausa e velocidade que consistia em ajeitar a bola para um lado e sair explosivamente pelo outro.


Artilharia

Registra-se que D’Ale foi o 5º jogador que mais atuou pelo Internacional, com 511 partidas oficiais, e ao lado de Dom Elías Figueroa, os dois únicos jogadores da história do clube gaúcho que conquistaram o prêmio de Futebolista Sul-Americano do ano. O jogador é o 15º maior artilheiro da história do Internacional anotando 95 gols e ainda, o que mais marcou gols no clássico GreNal (nove gols em 32 jogos), artilheiro nato que em 2018, se tornou o maior artilheiro do novo Beira-Rio com 23 gols.


Craque

Após passagem de empréstimo ao San Lorenzo, em julho de 2008, D’Ale chegou ao Beira Rio assinando um contrato de duração de quatro anos por 5 milhões de euros. O craque estreou pelo Internacional no dia 13 de agosto de 2008 contra o Grêmio, pela Copa Sul-Americana, jogo que resultou em um empate de 1 a 1, resultando na eliminação do Grêmio onde o Inter ao final da competição se tornou campeão.


Era apenas o início da trajetória do craque com o manto colorado (que inicialmente vestia a 15, e que somente após um pedido do ex-presidente Fernando Carvalho passou a usar a famosa 10). O craque em sua passagem pelo Internacional conquistou: Copa Suruga Bank (2009); Copa Libertadores da América (2010); Copa Sul-Americana (2008); Recopa Sul-Americana (2011); Campeonato Gaúcho (2009, 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015) e ainda a Recopa Gaúcha (2016 e 2017) .


E não para por aí! O craque colorado conquistou prêmios individuais: futebolista Sul-Americano do Ano (2010), equipe da América do Sul do Ano ( 2001, 2002, 2008 e 2010); bola de prata da Copa do Mundo da FIFA Sub-20 (2001); bola de bronze do Mundial de Clubes da FIFA (2010); melhor estrangeiro do Campeonato Brasileiro (2013); melhor meia-Direita do Campeonato Brasileiro (2010); melhor Jogador do Campeonato Gaúcho (2013); Seleção da Copa Libertadores da América (2010 e 2015) e Seleção do Campeonato Gaúcho ( 2009, 2013, 2014, 2015, 2017 e 2018).


Cidadão Brasileiro

Em 17 setembro de 2020 se tornou cidadão brasileiro. Em seu twitter declarou amor à terra que lhe acolheu junto com sua família e lhe tornou ídolo da nação colorada.


Líder

Algo que é inquestionável é sobre a liderança de D’Ale no Internacional. Líder nato, o argentino sabia usar das palavras para motivar o vestiário. O maestro colorado tinha o que se fala de “liderança moral”, postura exemplar e discurso que surtiam efeito no placar do jogo. Sua liderança ainda extrapola as quatro linhas e fez dele um vencedor.


Protagonista e 'provocador'

Protagonista nos grandes momentos da história do gigante Internacional. O principal foi a conquista da Libertadores de 2010, mas também a Sul-Americana em 2008, seis CampeonatosGaúchos e, ainda, uma Recopa Sul-Americana. Notória e muitas vezes decisiva a personalidade do jogador. D’Alessandro carrega uma personalidade atrevida, provocadora e temperamental que foi possível usar isso a seu favor quando conseguia provocar a expulsão de algum adversário e assim, favorecer sua equipe. Por outro lado, seu temperamento forte originou uma sequência de cartões amarelos em razão de protestos ou desrespeito à equipe de arbitragem. Mas isso jamais o ofuscou.


Solidário

(foto: divulgação)

D’Ale não é só mito em campo. Solidário com as causas nobres em 2014 lançou o projeto “Lance de Craque” para ajudar os mais necessitados. A partida beneficente em sua sexta edição reuniu grandes estrelas do futebol mundial como Loco Abreu, Guerrero, Emerson Sheik, Taison, Luiz Adriano, Forlán, Rafael Sobis e Alecsandro. Milhares de pessoas foram ao Beira Rio o que possibilitou que o evento arrecadasse no último encontro R$ 442.126,30 em doações que contemplaram instituições como Associação Cristã de Moços (ACM), Centro de Educação Profissional Calábria, Associação Beneficente Santa Zita de Lucca e Associação Sol Maior.


Sonhador

D’Alessandro deixa o Internacional e uma legião de fãs apaixonados por seu aguerrido e apaixonante futebol. Por enquanto, seguirá nos contemplando com seus belos lances em outra agremiação. O jogador declarou que sonha em viajar por seis meses para visitar, ver treinamentos e partidas da Champions League quando se aposentar. Também concluiu o curso de técnico de futebol pela AFA pensando no futuro.


(foto: divulgação)

Diante de tantos predicados não é difícil se render a D’Alessandro. Predicados estes que não são designados aos meros mortais, se associam aos ícones que ficam pra sempre no alto patamar do futebol, mas também na memória, na alma e no coração dos torcedores colorados.


D’Ale deixa um legado, 12 longos anos de muita felicidade traduzidas em muitos gols, vitórias e títulos. É mito e ficará para sempre marcado entre as lendas do futebol. Não é demasiado guardar uma cadeira no Olimpo do futebol à quem se dedicou como D’ale o fez com tanta maestria. Fica a torcida por este monstro do futebol que muito emocionou seus fãs e também fez chorar os seus adversários.


Dale Dale! Que o sucesso sempre te acompanhe El Cabezón!!

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