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O início de uma revolução

Atualizado: Jan 16

A história do surgimento é um tanto quanto contraditória. Pouco ouvimos falar sobre como tudo começou, mas há indícios de que a primeira partida oficial de futebol feminino foi realizada no dia 23 de março do ano de 1895, no campo de Crouch End (localizado no Norte de Londres). A partida teria sido entre North e South, onde o North saiu vitorioso após vencer por 7 a 1. Já que era uma cena inédita, o jogo reuniu, ainda que de forma parcial e em um lugar sem as estruturas necessárias para que todos conseguissem assistir, cerca de 10 mil pessoas que tumultuavam o jogo com insultos e comentários preconceituosos e estavam lá por curiosidade. O confronto entre as duas equipes aconteceu mais vezes e 23 anos após a primeira partida oficial masculina, surgia oficialmente ali, contra todos os tabus, o futebol feminino.


Em nosso país, apenas nos anos 20 a prática começou a acontecer nas periferias do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo, por exemplo. O evento era tratado como um show e era em números de circos que elas jogavam. Até a década de 40, assim ocorreu, mas no ano seguinte e por causar tanto espanto, a prática foi jogada para escanteio com alegações de que o futebol era oposto à natureza feminina.


Com a instalação do governo militar em 1965, surge então, a proibição do futebol para mulheres, esta que durou 14 longos anos.


No ano de 1979, as partidas foram liberadas novamente, mas levaram quatro anos para começar a acontecer de forma organizada e seguindo certo cronograma. Já em 1991, a comando de Fernando Pires, a Seleção Brasileira participou da primeira Copa do Mundo da FIFA e em 1996 da primeira Olimpíada. Atualmente comandada por Pia, a Seleção conta com o vice-campeonato da Copa do Mundo (2007) e várias medalhas em Jogos Olímpicos, Pan e universíadas. Existem campeonatos como o Brasileirão, Copa do Brasil, Taça Brasil e estaduais que vem ganhando cada vez mais destaque no país e campeonatos internacionais importantes como a UEFA Women's Champions League.

Hoje, ainda ouvimos muitos comentários como o de Bristol Mercury na primeira partida oficial.


“Elas não podem e nunca vão jogar futebol como deveria ser jogado”

Mas graças a nossa luta, a nossa resistência, de lá para cá, viemos mostrando dentro e fora de campo, como jogadoras, técnicas, árbitras, jornalistas, torcedoras, que o esporte é para todas e todos.


(Exposição Contra-ataque! As mulheres do futebol)

Quisera o destino, que do país onde o futebol feminino foi proibido por anos, surgissem grandes estrelas. Estamos quebrando recordes de audiência e esportivos também. É brasileira a primeira árbitra de futebol profissional (Asália de Campos Fornero Medina). É brasileira a mulher eleita seis vezes a melhor jogadora de futebol do mundo (Marta) e é brasileira a única jogadora que participou de sete Copas do Mundo (Formiga). Embora falte apoio financeiro e tendo que lutar contra o preconceito escancarado, mesmo após cerca de 40 anos da liberação do esporte para mulheres, o sexismo não conseguiu nos parar.

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