• Alessandra Formagini

O que (não) é essencial?

O Rio Grande do Sul está a quase quatro meses sem ver a bola rolar pelas quadras. Para ser mais exato, há 119 dias o grito de gol não é mais ouvido pelos ginásios do Estado. No início, seria apenas um lazer que não aconteceria por algumas semanas.


Atualmente, são famílias que veem a renda sumir, pais e mães de família que já se reinventaram a ponto de quase perder as esperanças, patrocinadores que se sacrificam para seguir apoiando projetos, gestores que fazem malabarismo para seguir acreditando, clubes fechando portas e se dando por vencidos e crianças e jovens que veem seus sonhos acabarem. Hoje, o que (não) é essencial?


Uma pesquisa feita pela Liga Gaúcha de Futsal, denominada como “Estudo de Impacto do Futsal na Economia do Rio Grande do Sul”, mostrou que apenas envolvendo a entidade são 151 clubes filiados em 2020, com mais de cinco mil profissionais envolvidos diretamente na modalidade. A estimativa, conforme o estudo, é de que em uma temporada, a Liga faça girar pelo menos R$ 30 milhões na economia gaúcha.


Foto: Alessandra Formagini

Manter este mercado ativo é fundamental para as economias locais. Os números mostram a verdadeira máquina que é movida quando a bola rola. E a máquina está parada: é praticamente escasso o subsídio de governos, entidades e responsáveis. O amadorismo, que era velado pelas tentativas de profissionalizar o futsal, hoje é escancarada. Uma modalidade inteira de gestores, jogadores, árbitros, jovens, imprensa e investidores está sem respirar. Não pelo covid-19, mas pela falta de um futuro à frente.


A bola precisa rolar novamente. Com todos os cuidados. Atletas testados. Álcool em gel. Com apoio das autoridades. Infelizmente, de portões fechados. Mas é preciso voltar para os sonhos seguirem vivos. Para os projetos, que ainda estão de pé, não caírem por terra também.


No Brasil, a Liga Nacional ainda não tem data definida. Santa Catarina foi a primeira a retomar os jogos e realizou na última semana a Recopa Catarinense, levada pelo Joaçaba. Porém, a esteia do Estadual, que aconteceria no último dia 11, foi cancelada. Nos outros estados, as datas variam entre agosto e setembro para começarem, também sem grandes definições. No Rio Grande do Sul, a estreia da Liga Gaúcha 1 é programada para 29 de agosto. É a data que mantém a esperança para muitos clubes seguirem existindo, mesmo com tantas indefinições.

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