• Éllen Gerber

O Rei de Roma e do Colorado: Paulo Roberto Falcão

A década era 1960, e o Internacional, conhecido como Clube do Povo, realizava uma campanha para erguer o estádio Beira-Rio - onde os próprios torcedores contribuíam doando materiais de construção e mão de obra.


A história nos conta, que um menino e seu pai levaram tijolos para ajudar na obra da nova casa do time do coração e por acaso, o menino viera a se tornar mais tarde um dos maiores ídolos do clube. Parece loucura acreditar que esse fato é verídico e tem um nome: Paulo Roberto Falcão.


Nascido em 16 de dezembro de 1953, em terras catarinenses e posteriormente conhecido como Falcão. O jogador sagrou-se um dos maiores volantes da história da Seleção Brasileira e do futebol mundial. O garoto que vendia garrafas para bancar o transporte até os treinos, iniciou na tentativa de se profissionalizar como meia-esquerda mas se adequou como volante. Foi pelo Clube do Povo que Falcão foi revelado aos 19 anos de idade.


Goleador nato e líder na majestosa campanha do Colorado na década de 1970 onde o time conquistou três vezes o Campeonato Brasileiro e cinco vezes o Gauchão, contribuiu para a fase majestosa que o Internacional se encontrava. Permaneceu no Colorado de 1973 até 1980, vestiu a camisa vermelha e branca em 161 jogos e marcou 21 gols.


Falcão, com os pés, ajudou a construir a história vitoriosa do Internacional e, com as mãos, ajudou a estruturar o patrimônio do clube que fez dele um grande jogador

Novos desafios: nasce o Rei de Roma

Na década seguinte passou a defender a camisa da Roma e com sua brilhante atuação, foi comprado por uma quantia milionária, onde defendeu a camisa do time italiano durante cinco anos (tempo suficiente para começar a ser chamado carinhosamente de “Rei de Roma”).


Quisera o destino que sua estreia fosse justamente contra o time que o revelou em um empate amistoso. Ajudou a equipe de Roma a quebrar paradigmas conquistando o título italiano após 41 anos. Na Itália disputou 107 jogos (22 gols) e conquistou ainda três Copas da Itália. No ano de 1985, se tornou o jogador mais bem pago na Itália, deixou a equipe em virtude de uma lesão no joelho e desentendimentos com o presidente do clube da época.

O retorno ao Brasil

Foi no Tricolor Paulista - onde permaneceu por um ano e pode contribuir para a conquista do Paulista de 1985 - que Falcão se despediu dos gramados como jogador.

Uma nova trajetória

Falcão, que já havia encantado os olhos de quem o vira jogar também com a camisa da Seleção, não obteve o mesmo êxito ao comandar a equipe brasileira fora das quatro linhas, visto que o cenário em sua chegada não era dos melhores após o desempenho na Copa de 1990.


Comandou ainda o América do México, onde conquistou dois títulos em 1991 e 1992; a Seleção Japonesa; o Internacional pela primeira vez em 1993, pela segunda em 2011 –obteve a conquista do título gaúcho, mas foi demitido pouco tempo depois e pela terceira em 2016 - demitido também com pouquíssimo tempo de trabalho; o Bahia e o Sport em 2015 e 2016 com demissões motivadas pelo desempenho frustrante das equipes.


Nada disso é capaz de manchar ou apagar o nome de Paulo Roberto Falcão da história do esporte e dos clubes por onde jogou. Para sempre há de ser lembrado por seus feitos extraordinários e pela dedicação tremenda que depositou em cada camisa que vestiu.

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