• Karoline Tavares

Paixão que transcende fases e fronteiras

Atualizado: Jul 24

"Viemos pra te apoiar, Fortaleza, meu amor", cantavam, aos gritos e munidos de todo o orgulho que conseguiam carregar, os torcedores do Tricolor do Pici em plena Buenos Aires, capital do confronto mais importante da história do clube.


Antes de tomar conta de ruas, bares, restaurantes e hotéis da capital argentina, o mar vermelho, azul e branco cobriu por completo o caminho do ônibus do elenco e o Aeroporto Internacional de Fortaleza. Pessoas de várias idades e gêneros fizeram de tudo para mostrar apoio ao grupo de jogadores (além da comissão técnica) que embarcava rumo à disputa da primeira competição internacional da história da instituição centenária. Pessoas que, sem nenhuma dúvida, recordarão esse momento para sempre, por mais que o resultado do primeiro jogo não tenha sido o esperado.


Dentro das quatro linhas do gramado do estádio Libertadores de América, o adversário era o Independiente, "Rei de Copas", heptacampeão do torneio que dá nome ao estádio, bicampeão da Copa Sul-Americana ou qualquer outro nome que você queira dar para maximizar os feitos da equipe. Vendo assim, parece assustador, não é?


Porém, o futebol apresentado pelo Leão foi digno de time grande, especialmente durante a primeira etapa. O problema é que em partidas dessa magnitude, com um rival como esse, não se podem cometer erros cruciais. Expulsão. Oportunidade clara perdida por jogador de frente para o gol. No fim das contas, 1 a 0 para os donos da casa. Para os visitantes, o menor dos males: a derrota pelo placar mínimo ainda deixa acesa a chama da esperança pela virada. Afinal, em situações muito mais adversas, já houve reviravoltas.


"Me arrepio ao lembrar daquele gol de Cassiano", diz trecho da música que iniciou o texto. Gol que empatou o jogo aos 47 do segundo tempo, na final do Campeonato Cearense de 2015, resultado necessário para garantir o título e impedir o pentacampeonato do maior rival. E os oito anos de Série C? Depois de bater várias vezes na trave, sem conseguir a ascensão, o Fortaleza passou por uma fase muito difícil. Mesmo assim, o Tricolor podia contar com um trunfo poderoso: a torcida. Milhares de apaixonados que, independentemente da partida, marcavam presença nos estádios, na capital cearense e em outros estados. Leais que se frustraram junto com os jogadores, mas que sempre estiveram ali para apoiar.


Ao final de 2017, veio o acesso para a Série B. No ano seguinte, o centenário do clube, veio não apenas mais um acesso, como também o inédito título nacional. A campanha de 2019, no retorno à Série A após 13 anos, também foi histórica. Tão importante que rendeu à equipe uma vaga na Copa Sul-americana. O sonho de disputar um torneio fora do Brasil se mostrava mais vivo do que nunca.


Dia 27 de fevereiro é o dia da partida de volta, na Arena Castelão. A promessa é de casa cheia. O resultado ainda não sabemos, mas podemos ter certeza de uma coisa: o amor da torcida que ultrapassa fases ruins e fronteiras de estados e países é muito maior que qualquer outro sentimento dentro do futebol.

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