• Marina Staudt

Por que devemos refletir sobre o machismo disfarçado de brincadeira?

Atualizado: Fev 27

Não é de hoje que o debate sobre o machismo no futebol vem crescendo e neste final de semana a pauta ficou ainda mais fervorosa. No último domingo (16), o Atlético Mineiro aproveitou o intervalo do jogo contra a Caldense, no Mineirão, para apresentar o elenco do futebol feminino. Na oportunidade, o atacante Diego Tardelli também foi levado aos gramados para receber o carinho da torcida.


A tentativa foi válida, aliás, deu certo em diversos outros clubes como Cruzeiro, Fluminense e Grêmio.



Mas, durante a apresentação do clube mineiro duas atitudes estragaram aquele momento de aproximação do elenco à torcida. Durante a apresentação, uma torcida organizada entoava “Vem pra Galoucura, vem, gostosa”, enquanto o mascote conhecido como “Galo Doido” pediu para que a jogadora Vitória Calhau desse uma voltinha, com o intuito de exibir o corpo dela para os torcedores.



A “cara” final do mascote, representa muito o machismo atualmente no futebol, onde a mulher é objetificada e tida como um objeto de prazer masculino. Obviamente, o funcionário que representa o mascote não foi orientado pelo clube para tal ato, mas a junção das duas atitudes - torcida e funcionário, demonstram que ainda tenho muito o que evoluir.


A nota oficial do clube, nada mais pareceu do que apenas uma manifestação “obrigatória” para não sofrer críticas maiores.


Isto nos leva a reflexão da importância que temos dado aos casos de assédio e o que efetivamente tem sido feito para combater o machismo. Não basta repudiar em nota, é preciso agir. O próprio Galo já havia sofrido represálias de torcedoras em outros casos envolvendo machismo. Como em 2016 quando o clube apresentou os novos uniformes com mulheres vestidas de biquíni e em 2017 quando não se posicionou sobre a condenação de estupro do atacante Robinho, que jogava no clube na época.


No início deste ano mesmo, o clube foi bastante questionado nas redes sociais quanto a utilização do elenco feminino como gandulas do time masculino. Portanto, o questionamento que fica é que, se o clube realmente não compactua com as atitudes machistas da torcida e do mascote, é preciso que ele mesmo valorize as mulheres, tanto da torcida quanto do elenco.


Isto, obviamente, serve para todos os clubes do país e do mundo. A conscientização e reeducação, também parte do institucional. É preciso refletir o quanto estamos sendo coniventes ao assédio e ao machismo, porque até então muitas brincadeiras eram aceitas de forma naturalizada. A desconstrução vem a partir do debate, do reconhecer os erros e procurar modificá-los.

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