• Paula Delgado

Racismo no futebol: permissividade da cartilha do futebol

Atualizado: Jul 24

O racismo, algo que lutamos contra há tantos anos, décadas parece veio como uma regra não oficial da cartilha do futebol. Só em 2019, segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, em 2019 foram registrados 60 casos de racismo no futebol. Desse total, 42 foram registrados no Brasil, 13 no exterior envolvendo brasileiros e 5 em competições na América do Sul.


Esses números representam apenas os casos que foram registrados. Muitos outros jogadores também sofreram e, infelizmente, não ganharam os holofotes para mostrar a real estatística do preconceito.


Lamentavelmente, 2020 parece caminhar para o mesmo caminho retrógrado de 2019. No último dia 16, Moussa Marega, jogador do Porto, francês de origem malinesa, foi insultado com músicas e provocações racistas da torcida adversária no jogo contra o Vitória. Apesar de Marega ter sido vítima de racismo, ele quem foi punido com um cartão amarelo por “provocar a torcida”. Irritado com os sequenciais insultos, o jogador pediu para ser substituído.


Agora, um caso brasileiro. No último dia 19, o Vasco enfrentou o Oriente Petrolero, da Bolívia, pela Copa Sul-Americana. Já estava próximo ao fim do jogo, 40 minutos do segundo tempo, quando os jogadores do time carioca que estavam no banco acusaram a torcida do time boliviano de racismo.


Como é possível ver nas imagens, o jogador Alexander faz o gesto apontando para a pele indicando para o árbitro que os brasileiros estavam sendo alvo de ofensas racistas. José Argote Vega, puniu o zagueiro Alexander com um cartão amarelo. O enredo é diferente, mas o final é o mesmo.


Alexander em campo disse "tá me chamando de macaco, pô. To errado?”. Aparentemente, sim, Alexander. Infelizmente, perante aos olhos vendados das regras de futebol, você é o errado. Pelo visto, nas regras de “boa convivência”, você deve ser ofendido e não se indignar com a situação. Você está sendo duplamente ofendido simplesmente pelo fato de ser negro, pela falta de respeito de uma sociedade racista e pela institucionalização do racismo pelas autoridades do futebol.


É século XXI, mas parece que algumas pessoas não se tocaram que isso não é mais aceitável, muito pelo contrário, isso é crime. O futebol é uma atividade democrática, inclusiva e coletiva. As atitudes que estamos vendo recorrentemente ocorrer nos campos distorcem completamente a essência desse esporte tão encantador.


Até quando as torcidas vão continuar cometendo esses atos tão bárbaros? Até quando instituições vão fechar os olhos? Provavelmente, até quando não entendermos que somos todos um só.

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