• Stephany Locatelli

Seleção Brasileira: a crise e a mudança drástica do futebol brasileiro

Atualizado: 24 de Jul de 2020

Com a parada do futebol, as emissoras de televisão tem aquecido o coração do torcedor com reprises de jogos marcantes do passado. Em especial, a Rede Globo transmitiu nos últimos dois domingos os jogos da Seleção Brasileira: a final da Copa do Mundo de 2002 e a final da Copa das Confederações em 2005. No próximo domingo (26) vai ao ar a grande final da Copa do Mundo de 1994.


E assistindo novamente esses jogos não pude deixar de pensar em como a seleção mudou de uns tempos pra cá. Chega a ser irreconhecível nos gramados e não mais temida pelos adversários. E a pergunta que não quer calar é: por quê? Qual seria o fator ou os fatores que estão ligados à essa mudança tão drástica no futebol brasileiro que outrora era tão "encantador"? Seguindo esses passos como poderei convencer o meu priminho, tão novo ainda nesse meio futebolístico, de que vale a pena se apaixonar pela nossa Seleção? O futebol está mudando, evoluindo. Novos termos tem surgido e os especialistas estão cada vez mais estudiosos. São novos tempos, mas isso não significa que esse tempo seja bom. O verde e amarelo da nossa seleção está desbotado, o nosso protagonismo nas competições deixou de existir. E vocês devem estar pensando: "Mas ano passado vencemos a Copa América!". E sim, vencemos. Mas o futebol apresentado não foi grande coisa. Houve muitas deficiências em todos os setores do campo e não adianta falar que foi merecido demais: não foi! Um ano antes (2018) fomos eliminados pela Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo na Rússia. Em 2013 vencemos a Copa das Confederações, mas no ano seguinte tomamos a maior goleada da nossa história: o infame 7 a 1. Essa inconstância na Seleção é estrutural. Como foi construído o planejamento da seleção? Com base no que as convocações são feitas? Por que o futebol brasileiro está tão inferior ao europeu? Tudo está ligado.

A crise que assombra o futebol brasileiro mexe diretamente com a seleção. Nossos jovens talentos são vendidos bem cedo para que o clube consiga manter-se de pé pagando suas dívidas e com isso perdemos a identificação com o jogador do nosso clube e o jogador perde a identificação com o seu país de origem. Devia ser fantástico assistir Pelé jogar com a amarelinha, o torcedor santista devia ter muito orgulho de acompanhar um menino ali de Santos na Seleção. E para o torcedor do Botafogo? Era estonteante vibrar com os dribles desconcertantes de Garrincha. Identificação! Rodrygo, Vinícius Júnior, David Neres são exemplos de jovens talentos que foram embora cedo que poderiam ter dado muito mais ao seus clubes. Mas há também jogadores como Ederson e Firmino que foram embora antes mesmo de brilharam nos gramados brasileiros. Hoje, muitos não conhecem todos os jogadores convocados porque os mesmos saem do Brasil antes mesmo de terem a oportunidade de serem reconhecidos pela torcida. E o que falar quando a bola rola? Se antes tínhamos jogadores que chamavam a responsabilidade, principalmente do meio campo pra frente, que marcavam e davam o ar da graça aos jogos, nos dias atuais nos falta isso. Não há mais o protagonismo, com exceção de Neymar, os demais jogadores muitas vezes se perdem em campo e não sabem exatamente o que fazer. Falta jogadores excepcionais. Falta o prazer de querer jogar bola, de honrar o país. Hoje, o importante é ganhar, não o jogo, mas o dinheiro. A falta de brilho do nosso ataque é nítida quando enfrentamos seleções que até então eram presas fáceis. Pode ser que algumas vitórias brasileiras tenham dado ânimo ao torcedor, mas está mais do que claro que as atuações são decepcionantes em questão de espetáculo. Fica difícil imaginar um time onde os jogadores não possuem identificação com o futebol que o país tem. É extremamente difícil convencer o meu priminho de que é possível encantar-se com a camisa da nossa seleção, se os melhores estão vestindo outras cores.

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