• Alícia Soares

Também devemos falar de transexualidade no futebol

Atualizado: Jul 24

Ainda não há muitos casos de jogadores e jogadoras transexuais

no esporte originário na terra da Rainha,

mas já deveria haver uma legislação própria nas confederações


Transviver, primeiro time transexual do Nordeste. Foto: Camila Alves

Com o passar do tempo, tem se tornado comum a inclusão das pessoas LGBTI+ no mercado de trabalho (ainda bem!!!). No esporte, então, não poderia ser diferente. Vários atletas defendem publicamente a representatividade e a visibilidade da classe, como a jogadora de futebol norte-americana Megan Rapinoe, a jogadora de futebol brasileira Marta Silva, o ginasta brasileiro Diego Hypolito, a lutadora de UFC brasileira Amanda Nunes. E por mais que não nos lembremos muito dos transexuais, também são conhecidas algumas celebridades como a ex-tenista Renée Richards, a golfista dinamarquesa Mianne Bagger e ex-lutadora norte-americana de MMA, Fallon Fox.


Mara Gomez, à direita. Foto: C.A. Villa San Carlos

Na última terça-feira (7), o lanterna do Campeonato Argentino Feminino, o Villa San Carlos, divulgou a contratação da primeira transexual a participar de um torneio da Associação do Futebol Argentino (AFA). O nome da pioneira é Mara Gomez, tem 22 anos e jogava em uma liga amadora de La Plata, onde havia sido bicampeã com o clube e artilheira nas últimas duas edições do torneio.


A partir dessa notícia, parei para pensar em outros casos no futebol relacionados a transexualidade e não me lembrei de nenhum. É claro que existem, mas ou a imprensa tradicional não dá muita relevância ou o próprio público renega esse tipo de assunto. Por exemplo, ao serem pesquisadas no próprio site da Confederação Brasileira de Futebol as palavras-chave “transexual” ou “transexualidade”, não são encontrados nenhum resultado, o que demonstra a omissão da CBF.


Vale lembrar que o artigo 217 da Constituição da República Federativa do Brasil defende o direito de qualquer pessoa ao esporte e dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, e nem sempre isso acontece quando falamos dos transexuais, principalmente relacionado a esportes de alto rendimento.


Na teoria, qualquer atleta pode participar da modalidade que deseja - no caso de uma competição - desde que esteja nivelado hormonalmente com os outros atletas. No caso, segundo a legislação do Comitê Olímpico Internacional (COI), são permitidos atletas transexuais nas ligas femininas caso o nível de testosterona não ultrapasse nanomol de testosterona por litro de sangue nos 12 meses anteriores à competição. No futebol, ainda não há polêmica devido a pouca existência de atletas trans. Mas no vôlei brasileiro, a jogadora trans Tifanny deu o que falar após performance de destaque na Superliga Feminina e colegas do esporte alegarem ter sido devido aos hormônios masculinos e desenvolvimento na puberdade, sendo que seu próprio nível de testosterona chega a 0,2 nanomol por litro, apenas.


Outras jogadoras transexuais

Alba Palacios: a primeira transexual a jogar na Espanha. Foto: C.D. Samper

Alba Palacios é a primeira transexual a jogar na Espanha. Começou sua carreira aos 33 anos no Las Rozas, time de terceira divisão da Liga Feminina Espanhola, também jogou no Club Deportivo Samper e joga atualmente no Madrid. Iniciou sua transição no início de 2017. É atacante, tem 1.70m e pesa 59kg.


Valentina Berr é a segunda transgênero a jogar na Espanha. É atacante, tem 26 anos. Até o presente momento joga no segundo time do Terrassa FC, que faz parte da liga catalã.


Blair Hamilton tem 29 anos, é escocesa e joga pelo Stonehaven Ladies FC.

Jaiyah Saelua, a primeira jogadora de futebol transgênero. Foto: Peter PARKS/AFP.

Por fim, mas não menos importante, temos uma jogadora que fez o caminho contrário das anteriores: Jaiyah Saelua é uma transexual que joga pela seleção masculina da Samoa Americana e foi o primeiro transgênero a competir em uma eliminatória de Copa do Mundo (em 2010), na vitória da Samoa Americana por 2 a 1 contra a Tonga . Voltou à ativa nos Pacific Games em Samoa no ano passado. É zagueira e tem 31 anos.


Jogadores transexuais se consolam no amadorismo

Os Meninos Bons de Bola são a primeira equipe de futebol formada por homens transexuais no Brasil e são naturais da capital São Paulo. Raphael, ex-funcionário do setor de assistência a LGBTs no Centro de Referência e Tratamento de São Paulo (CRT), juntamente com Moira Escorse, psicóloga do local, tiveram a iniciativa.


BigTBoys, time carioca de homens transexuais. Foto: Acervo Pessoal

O BigTBoys é um time de futebol por homens transexuais da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. É uma iniciativa do ativista LGBTQI+ Cristian Lins, que explicou em entrevista para o portal Meia Hora: "Nascemos meninos em um corpo de mulher. Estamos em paz e seguros da nossa identidade de gênero. Nos olhamos de viver a vida e poder ser quem a gente quiser. E amamos futebol".


É claro que, há todo um debate relacionado a possíveis vantagens que um jogador transexual poderia ter comparado a seus colegas cisgênero - no quesito biológico, de possuir mais força, ter mais estatura, conseguir um salto mais alto - mas não estamos falando disso. Estamos falando de direitos que a comunidade LGBTI+ já conseguiu, de possuir o direito de ter um nome social, de poder se unirem entre si, e agora, de poder participar de esportes de alto rendimento com o gênero que desejam e se identificam.


E você: o que pensa sobre esse assunto? Conta pra gente nos comentários!

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