• Karoline Tavares

Tragédia de Heysel: 35 anos de um dos episódios mais bárbaros do futebol

Atualizado: 24 de Jul de 2020

Nesta sexta-feira (29), completam-se 35 anos da Tragédia de Heysel, um dos piores incidentes da história do futebol europeu. Nesse dia, no Estádio de Heysel, em Bruxelas, Bélgica, 39 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas em um confronto entre torcedores do Liverpool e da Juventus, que faziam a final da Copa dos Campeões da Europa (atual Champions League) 1984/85.


Naquela temporada, as equipes tiveram uma campanha praticamente igual, com um excelente desempenho na competição. Até a semifinal, os Reds e a Velha Senhora haviam marcado 13 gols e sofrido quatro, e as goleadas eram comuns. O Liverpool entrava em campo na final para defender o título, conseguido na temporada anterior, e conquistar sua quinta Copa da Europa. Já a Juventus nunca tinha levantado o troféu do torneio até então.


Uma hora antes do início da partida, o clima já era tenso nos arredores do Estádio de Heysel. Torcedores de ambos os times lançavam pedras e outros objetos uns contra os outros. Nos conflitos ainda nas ruas, uma joalheria foi saqueada. Além disso, torcedores ingleses cavaram buracos para escapar da segurança e entraram no local sem ingresso, o que causou superlotação nas arquibancadas.


No estádio, as torcidas deveriam ocupar lugares opostos, atrás dos gols e separados por um grande espaço para os torcedores neutros. Porém, na realidade, o setor norte foi ocupado pelos hooligans ingleses e os bianconeri, com uma pequena barreira e poucos policiais entre eles.


Faltando meia hora para o apito inicial, alguns ingleses presentes conseguiram ultrapassar a barreira que os separava dos italianos e começaram um tumulto. Os torcedores da Juventus presentes no setor foram agredidos e encurralados contra uma parede, que não resistiu à pressão e desabou.


Mesmo depois de todo esse caos, feridos e mortos, a UEFA tomou mais uma decisão questionável e decidiu realizar a partida. Em campo, quem saiu ganhando, por 1 a 0, com um gol de Platini, foi a Juventus, campeã inédita do torneio, mas, fora dele, o futebol perdeu muito. Faltou preparo, cuidado e humanidade.


Todo o conflito que levou à morte de dezenas de torcedores e uma baderna generalizada poderia ter sido evitado por todos os lados: pelas autoridades e polícia locais, que ignoraram o fato de que os hooligans, já tão conhecidos pelas brigas e confusões na própria Inglaterra e no resto da Europa, poderiam causar problemas também na final; pela UEFA, que escolheu um estádio cheio de problemas estruturais para realizar a final da mais importante competição europeia; além dos próprios hooligans, que se aproveitaram de todas essas condições favoráveis e espalharam o caos.


Os hooligans foram responsabilizados pelo ocorrido, e 25 deles foram presos. Além disso, equipes inglesas foram proibidas de disputar a Copa dos Campeões por cinco anos. Até hoje, os bianconeri lembram e homenageiam as vítimas da tragédia.


Mesmo depois da Tragédia de Heysel, quando se podia imaginar que uma situação como essa não se repetiria (tão cedo), o Estádio de Hillsborough, do Sheffield Wednesday, também da Inglaterra, foi palco da morte de 96 pessoas, que morreram esmagadas contra as grades das arquibancadas, feitas com material mais resistente para evitar a invasão dos hooligans.


Apesar disso, o episódio na Bélgica foi o pontapé inicial para que o controle de segurança nos estádios fosse reforçado em todo o mundo. Lá mesmo em Heysel, as entradas dos torcedores passaram a ser vigiadas por câmeras, duas barreiras de verificação de ingressos foram instaladas, há uma central de polícia, foi estabelecida uma divisão real de torcidas e a capacidade do estádio foi reduzida. Muitas dessas medidas foram adotadas em outros lugares do mundo, inclusive no Brasil.

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