• Eduarda Porfírio

Um castelo também precisa de reparos

O último dia 30 de janeiro, trouxe um susto para o fortalezense: o Castelão, palco de tantas decisões importantes, estava pegando fogo. Não bastava para o torcedor estar longe da arena por conta da pandemia de Covid-19, tendo ainda que lidar com a notícia de que ela estava sendo destruída.


Segundo o laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), divulgado na última sexta-feira (12), as chamas iniciaram por causa de um curto-circuito de falha elétrica em um ar-condicionado nas cabines de transmissão.


Apesar de a Secretaria do Esporte e Juventude (Sejuv) ter informado em nota que “possui contrato vigente com empresa de manutenção dos equipamentos do sistema de climatização de ambientes”, os reparos não impediram que o incêndio ocorresse.


Além disso, o estádio não passava por manutenção preventiva desde março de 2020, quando o contrato com a empresa Normatel Engenharia foi encerrado. Talvez devido à pandemia ou ao desleixo mesmo — fica a cargo do leitor decidir — o acordo não foi renovado e nem procuraram outra instituição para fazer esse trabalho.


Contudo, em algum momento a sujeira debaixo do tapete se acumula a ponto de formar uma montanha. E assim aconteceu. Mesmo que os equipamentos tenham passado por manutenção, é inadmissível que o local tenha ficado tanto tempo sem manutenção.


foto: divulgação

Tudo bem, o Castelão passou um bom período sem receber jogos. No entanto, o incêndio poderia ter ocorrido a qualquer momento. Inclusive, ao longo de uma partida. No dia em questão, haveria um confronto entre Floresta e Mirassol às 16 horas, pela final da Série D do Campeonato Brasileiro.


Funcionários estavam trabalhando no estádio naquele sábado, mas felizmente não ficaram feridos. A estrutura total não foi tão comprometida, e o prejuízo maior foi no teto. Como o Corpo de Bombeiros teve que tirar a manta que deveria proteger do fogo, a cobertura central do prédio foi danificada.


No momento, os reparos estão sendo realizados pela própria equipe do lugar, segundo a Sejuv. A Superintendência de Obras Públicas (SOP) está fazendo um levantamento do material atingido para a realização da reforma e recuperação da cobertura, por meio de uma licitação.


Apesar da tragédia, a bola segue rolando como se nada tivesse acontecido. Ainda que houvesse vazamentos no teto e cinzas no local. Mas nada que pareça incômodo, afinal, o juiz mandou a partida seguir.


Um jogo que poderia ter sido resolvido em tempo normal, sem erros de passes e aproveitando as chances de gol, acabou se estendendo para uma prorrogação longa e chata — na qual os jogadores estão exaustos.


Nos cabe agora esperar o desfecho da partida e torcer para que a infraestrutura do estádio, que já recebeu Beyoncé, se mantenha intacta.

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