• Vanessa Ritter

Vida longa à Celemaster

Atualizado: Jan 16

O quanto um time de futsal pode ser reconhecido em uma cidade? O quanto um time de futsal – feminino – pode ser reconhecido, na mesma cidade, quando também se tem uma equipe masculina? No extremo ocidental do Rio Grande do Sul e na divisa com a Argentina, a Celemaster Uruguaianense tem seu lugar consolidado. Quem conhece Uruguaiana sabe da paixão dos torcedores pelo futsal. O amor se divide entre o time masculino e feminino. Em ambos, o ginásio Schmitão, treme.


(Foto: Divulgação)

O estopim para a fundação do clube feminino, em 2005, foi a descoberta do potencial de diversas meninas que jogavam “mini gol” nas ruas e nos campinhos pela cidade. O talento levou-as para treinar nas quadras e, consequentemente, às competições – torneios em Uruguaiana, regionais, até alcançar o estado nos campeonatos estaduais. Ninguém ainda havia ido ao ginásio para assistir ao futsal feminino. O primeiro estadual, em 2013, levava cerca de 600 pessoas aos jogos. Em 2014, o ginásio acolheu mais de 2 mil pessoas e precisou de um telão para quem ficou do lado de fora. Resultado: primeiro título estadual. Segundo o técnico da equipe, André Malfussi, as meninas se tornaram celebridades.

"A equipe masculina que jogava estadual não estava competindo, então foi aumentando o número de torcedores. As meninas viraram celebridades, eram paradas para tirar foto, dar autógrafo"

Após o primeiro título estadual a Celemaster começou a ser reconhecida no estado pela sua força. Em 2015, teve início a disputa de campeonatos nacionais. Foi notável a diferença das equipes com mais estrutura e poder financeiro em relação as do Rio Grande do Sul. Santa Catarina, Paraná e São Paulo estavam acima, e mesmo assim, o clube feminino gaúcho foi se destacando e levou dificuldade para essas equipes, até chegar à final da Taça Brasil em 2017 e conquistado o vice-campeonato.


Como todo time de futsal – ainda mais feminino – a principal dificuldade são os recursos. A diferença para o masculino é gritante na questão financeira. A Celemaster, mesmo com seu número considerável de conquistas, realiza viagens de carro aos jogos. O ônibus é utilizado para algumas distâncias mais longas – quando possível arcar com os custos. O ano de 2020 estava planejado para muitas competições: estadual pela FGFS, estadual de base, Copa Gaúcha, Liga Gaúcha, Liga Nacional, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Taça Brasil. Com a pandemia, a situação afetou diretamente a equipe, principalmente com os patrocinadores, que foram reduzidos. “O ano que parecia ser o melhor ano em competições e estava indo tudo bem na questão de patrocinadores, está sendo o pior ano. A gente espera pelo menos conseguir cumprir ele”, comenta André.


A representatividade plantada pela Celemaster colhe seus frutos. Há três anos, está em funcionamento um projeto social de categorias de base que atende cerca de 50 meninas, de 9 a 16 anos. O objetivo é ajuda-las no processo de formação como atleta e também como pessoa, colocando o esporte como ferramenta de inclusão social. Em 2019, a escolinha de base da Celemaster Uruguaianense começou a funcionar para formar meninas e futuras atletas da equipe.


“Hoje muitas meninas procuram o futsal como uma prática de esportes, o que antes não acontecia. Hoje a gente sabe que o pessoal aos sábados vai ao ginásio buscar entretenimento olhando o jogo das gurias, isso é muito bom, a gente sabe que tem o nosso espaço aqui. ”
André Malfussi, treinador da Celemaster desde 2007 (foto: Divulgação)

Depois de ser tetra campeã estadual pela Federação Gaúcha (2014, 2017, 2018 e 2019), campeã da Liga Gaúcha (2019), vice-campeã da Taça Brasil (2017) e campeã estadual Sub-20 (2016), a Celemaster tem seu espaço em Uruguaiana e no Rio Grande do Sul. Aos poucos, seu trabalho também é reconhecido em território nacional.



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